Desafiando o Rio-Mar: a epopéia do Cel Hiram na Amazônia (1.4 – 01/12)

Desafiando o Rio-Mar: a epopéia do Cel Hiram na Amazônia (1.4 – 01/12)    
Por Cel Araujo   
30 / 11 / 2008
01 Dez – 18h 34min

Na zona de silêncio

Há algumas horas os navegadores entraram em uma área de silêncio total, no que se refere às comunicações via telefone.

O Centro de Controle Operacional Skysulbra, em funcionamento ininterrupto 24 horas/dia, está se comunicando com o caiaque pelo sistema satelital, pois não há mais sistema celular disponível na região onde a equipe se encontra.

Considerando a baixa velocidade de navegação, a atualização de posições se dá a cada 60 minutos na plataforma satelital. Havendo necessidade, é possível interagir instantaneamente.

Cumpre destacar que na ocorrência de qualquer necessidade emergencial,  o rastreamento será imprescindível para um pronto resgate aéreo,  pois disponibiliza as coordenadas exatas da embarcação.

O sistema de rastreamento utilizado é o que  os profissionais  da área denominam de  “sistema híbrido”, pois reúne duas tecnologias para comunicar os dados de telemetria GPS – a plataforma celular GSM/GPRS e a Satelital.

Quando não há sistema de telefonia celular disponível, a comunicação bidirecional com o módulo de rastreamento passa a ser unicamente satelital. Assim, a cada intervalo de tempo (ou continuamente, se for o caso) são capturadas as informações do módulo, tais como: latitude, longitude, velocidade, etc.

Duas vezes por dia a Skysulbra repassará a posição dos caiaques e, no início de cada dia, fornecerá um relatório completo sobre o trajeto do dia anterior. Tais informações serão devidamente postadas neste espaço.

Segundo Luiz Felipe Regadas, da Skysulbra, “nossa responsabilidade vai muito além de uma simples coleta de dados de telemetria GPS – nos consideramos os Anjos da Guarda desta importante expedição“.

Posição dos caiaques às 17h 30min de hoje, dentro da zona de silêncio telefônico (à direita, no rio)
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01 Dez – 12h 16min

Veja, na tela do computador, a posição dos navegantes ao meio-dia (10h local). O rastreamento por satélite está sendo feito pelo ex-aluno Luiz Felipe Menghetti Regadas, através de sua empresa Skysulbra Rastreamento Veicular.

Segundo os dados coligidos, a velocidade média varia entre 9 e 11 Km/h sendo que em alguns trechos atingiu 14 Km/h.

Posição dos caiaques ao meio-dia (10h local)
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01 Dez – 09h 20min

PARTIRAM!

Às 09h 44min (07h 44min local) de 01 de dezembro os remos tocaram na água, dando início ao percurso de 1630 km através do Rio Solimões que levará os navegadores até Manaus.

Antes da partida, os entusiasmados remadores foram homenageados em uma cerimônia que reuniu autoridades e populares de Tabatinga, os quais disseram da relevância do projeto e desejaram boa sorte à equipe.

O Cel Hiram saudou a todos e agradeceu o apoio, o incentivo e a acolhida  que sua equipe teve por parte da população e das autoridades locais, em especial da prefeitura, da Universidade Estadual do Amazonas, dos órgãos estaduais e federais civis e das guarnições militares do Exército, da Marinha e Força Aérea. Disse também estar convicto de que a visibilidade nacional do projeto há de contribuir para que a Amazônia seja cada vez mais do brasileiros, não só de direito, mas principalmente de fato, e que conhecendo mais profundamente sua importância para o País e para o mundo, o Brasil entenderá melhor a necessidade de defendê-la e preservá-la.

Em virtude das dificuldades de comunicação nessa fase do percurso, o próximo contato está previsto para ocorrer no dia 05 de dezembro, quando a equipe chegar ao município de São Paulo de Olivença, oportunidade em que serão publicados  no Diário de Bordo os depoimentos e fotos dessa parte do trajeto.

Por enquanto, clique aqui e conheça mais sobre a história e as características culturais, comerciais, sociais e geográficas das regiões de Tabatinga e de São Paulo de Olivença.

Porto de Tabatinga – o início da epopéia
Rio Solimões.

Foto: Camila Bonfim.



Av. da Amizade – centro de Tabatinga

Foto: Portal Tabatinga

Vista aérea da Floresta Amazônica

Foto: Portal Tabatinga



Pôr-do-sol visto da  Comara

Foto: Alexandre Pinheiro


30 Nov 08

rNo dia 01 de dezembro, ao raiar da manhã, terá início a epopéia do Cel R/1 Hiram Reis e Silva na Amazônia.

Serão cerca 1.630 km pelo Rio Solimões entre as cidades de Tabatinga e Manaus, ambas no Estado do Amazonas; 100 km a mais do que a distância entre Porto Alegre e Rio de Janeiro!

O percurso será realizado em dois caiaques oceânicos (mais propícios para remadas que envolvam longas distância; são rápidos e possuem compartimento de carga que permitem levar provisões), um tripulado pelo Cel Hiram e outro pelos dois companheiros de aventura: a turismóloga e canoísta Fabíola Arruda de Verga e o professor mestre de Educação Física, canoísta e 2º Ten R/2 Romeu Chala (o Cel Teixeira não pode ir devido a um grave problema de saúde na família, sendo substituído pelo Prof. Romeu). O sistema de impulsão dos barcos será o “armstrong”, ou seja, apenas os músculos dos tripulantes.

A preparação envolveu quase dois anos de exaustivos e diários treinamentos no Guaíba. O Lago Guaíba proporciona reais dificuldades à navegação com seus ventos fortes e largura de até 18 km (entre a Vila Itapoã e a Praia da Faxina) bem superior à do rio Solimões. As diversas rotas realizadas, atravessando o canal em navegações contínuas superiores a 2 horas, buscaram ultrapassar as situações que serão enfrentadas na Amazônia. Os ventos do quadrante Sul, superiores a 25 nós (45 Km/h), passando entre os morros da Ponta Grossa e a Pedra Redonda, criam um interessante efeito de turbilhonamento. As ondas, de até 1,5 m, surgem de todos os lados sem um padrão definido exigindo muita habilidade e força do canoísta. No total, foram cumpridos 12.590 km de treinamentos no Guaíba.

Os remos iniciarão o contato com a água do Solimões às 8 horas de 01 de dezembro. O último contato está previsto para o dia 29 de janeiro, com a chegada a Manaus.

Acompanhe a epopéia

Durante todo o percurso, os navegadores enviarão os dados por telefone e Internet, sempre que houver condições de comunicação. A trajetória, ponto a ponto, será acompanhada desde Porto Alegre através de GPS.

Neste espaço, no portal do CMPA, serão publicados as sínteses do dia-a-dia do Projeto Desafiando o Rio-Mar.

O Diário de Bordo, com informações mais detalhadas, fotos e arquivos de áudio, poderá ser acompanhado no blog do Clube de História, com atualização periódica realizada pelas professoras Silvana Schuler Pineda e Patrícia Rodrigues Augusto Carra. O Diário de Bordo já contém informações sobre os dias que antecederam o início da epopéia. Confira lá.

Vários jornais e sites de todo o Brasil estarão acompanhando e divulgando o Projeto.

O horário local do percurso é o de Brasília menos duas horas.

Para conhecer mais, consulte:

  • Projeto Desafiando o Rio-Mar, na página da SAMBRAS, com todo o planejamento.


Equipe: Fabíola, Hiram e Romeu
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Visão geral do percurso entre Tabatinga e Manaus no mapa do Brasil: 1630 km rio abaixo!
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1º trecho: 52 km entre Tabatinga e Feijoal, a ser cumprido no dia 01 de dezembro
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Cel Hiram e o pró-reitor de Extensão e Assuntos Comunitários da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), professor Rogelio Casado. Clique na imagem e leia a reportagem.
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Cronograma aquático do Projeto Desafiando o Rio-Mar

-  Saída dia 1 de dezembro às 8h, de Tabatinga

Tabatinga é um marco fundamental da integração da Amazônia ao Brasil. Chegando ao sítio onde hoje se situa a cidade, no dia 16 de agosto de 1639, Pedro Teixeira, seguindo a orientação do governador Jácome Raimundo de Noronha, toma posse da terra pela Coroa de Portugal,  fundando naquele local a cidade de Franciscana. Oficializando o ato com a implantação de um marco-padrão, com o escudo de Portugal, e a lavratura de um Auto de Posse, autenticado pela assinatura dos presentes, transcrito depois nos livros da Provedoria e Câmara do Senado de Belém, executou a tomada de posse da Amazônia para Portugal, em nome do rei de Portugal e Espanha (Coroa Ibérica – 1580/1640).

- Entre os dias 1 e 5 de dezembro, passam pelas localidades de Feijoal, Belém do Solimões, Santa Maria e Santa Rita de Weil.

- No dia 5, chegam ao município de São Paulo de Olivença, que remonta à missão de São Paulo Apóstolo, fundada pelos jesuítas que catequizavam os índios da bacia do rio Solimões, no final do século XVII. De São Paulo de Olivença, partem na manhã do dia 7.

- No dia 7, chegam à localidade de São João e, no dia 8, ao município de Amaturá

- No dia 9, chegam ao município de Santo Antônio do Içá, onde permanecem até o dia 12. Em Santo Antônio do Içá, percorrem também parte do Rio Içá, afluente do Solimões

- No dia 13, dormem no município de Tonantins. Pelas águas do Solimões, cortam e dormem em localidades como Belo Horizonte, Florianópolis e Retiro até que, no dia 17, chegam ao município de Jutaí

- Dia 18 chegam à localidade de Triunfo e, no dia 19, chegam ao município de Fonte Boa, onde permanecem até o dia 21.

- Nos dias 22 e 23, deslocam-se até Porto Colombiano e desbravam o Rio Juruá.

- Passam o dia 24 em Porto Maquapanim e, no dia 25, chegam a Boa Vista do Jauató, de onde seguem para Coadi, passam por Pousada Uacari, e chegam à sede de Tefé no dia 31 de dezembro, permanecendo até o dia 2 de janeiro, onde aproveitarão a oportunidade para realizar um reconhecimento detalhado do Lago Tefé.

 
- Entre os dias 3 e 6 de janeiro, passam pelas localidades de Caiambé, Porto Reis, Porto Quebra e Laranja, até a chegada em Coari, no dia 7. No município, ficam até o dia 10, onde vão navegar pelas águas do Lago Coari.
 
- Na região de Coari habitavam primitivamente a região os índios Catauixis, Irijus, Jumas, Jurimauas e outros. Sobre as índias (trecho de autoria do padre João Daniel em “Tesouro Descoberto”): “Algumas fêmeas a que além de suas feições lindíssimas, têm os olhos verdes e outros azuis com uma esperteza e viveza tão engraçadas que podem ombrear com as mais escolhidas brancas”.
 
- Nos dias 11 e 12, passam por Camará e Costa da Salvação e, entre 13 e 15, ficam em Codajás.

- No dia 16, chegam a Anori e, no dia 17, Beruri, às margens do rio Purus, onde ficam até o dia 19.

O rio Purus tem uma importancia vital na afirmação da soberania brasileira através de dois brasileiros ilustres:

Plácido de Castro, que abandonou as atividades de agrimensor que desempenhava na região do Purus para liderar uma revolução que resultou na anexação do Acre ao Brasil e de Euclides da Cunha, chefe da comissão mista brasileiro-peruana de reconhecimento do Alto Purus, que tinha como objetivo a demarcação de limites entre o Brasil e o Peru.

- No dia 20, estarão em Anamã, 21 na vila Casa do Rodrigues e no dia 22 chegam à cidade de Manacapuru onde permanecem até o dia 24.

- Do dia 25 ao 28, permanecem em Iranduba, onde pretendem observar e entrevistar arqueólogos americanos e brasileiros que trabalham no Projeto Amazônia Central realizando escavações nas chamadas terras de índio. A Terra Preta Arqueológica – também chamada de Terra Preta de Índio ou simplesmente Terra Preta – tem essa denominação porque é encontrada em sítios arqueológicos, onde viveram grupos pré-históricos. Nessas áreas há grande quantidade de fragmentos cerâmicos, carvão e artefatos líticos (de pedra). O material arqueológico é bastante diversificado, o que leva a crer que grupos culturais distintos habitaram um mesmo local. De Iranduba partem para Manaus.

- Chegada em Manaus dia 29 de janeiro onde pretendem visitar: as Minas do Pitinga e seus projetos de recuperação de áreas degradadas; a hidrelétrica de Balbina;  o Projeto Waimiri Atroari; Programas de Preservação e Pesquisa de Quelônios Aquáticos e de Preservação e Pesquisa de Mamíferos Aquáticos; Estação Ecológica de Anavilhanas. Pretendem também visitar outras Unidades de Pesquisa e entrevistar pesquisadores do INPA e do CBA.

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