Carlos Chagas: Bancos e Reeleição.

O futuro já chegou?

Também hoje, em reunião da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, o deputado João Paulo Cunha apresentará seu parecer a respeito da extinção da reeleição para presidente da República, governador e prefeito, sugerindo para eles um único mandato de cinco anos. Como quem não quer nada, o ex-líder da bancada do PT e ex-presidente da Câmara propõe o fim do segundo mandato disputado no exercício do primeiro, sustentando que a novidade entre em vigor no futuro, a partir dos próximas eleições.

É aqui que mora o perigo. Porque se o sucessor do presidente Lula, a ser eleito em outubro de 2010, tiver proibida sua reeleição em troca de mais um ano de governo, estará inaugurando um novo sistema político. Isso pode significar o apagador sendo passado no quadro-negro, ou seja, o que valia não valerá mais, iniciando-se um novo ciclo político-eleitoral. Para ele, todos os brasileiros na posse de seus direitos políticos poderiam candidatar-se. Inclusive ele, o Lula.

Nota-se, assim, que para o PT o futuro é agora, livre da sombra da derrota de Dilma Rousseff e pujante na certeza de que ninguém baterá o atual presidente da República, nas urnas. Juristas não faltarão para defender esse ponto de vista, mesmo caracterizado como um golpe de estado.

O passado era limpo

Tempo houve, cinqüenta ou sessenta anos atrás, que os bancos pagavam juros pelo dinheiro neles depositado pelos cidadãos. Havia até uma caderneta gratuitamente distribuída a cada correntista, para a anotação dos juros acrescidos a cada mês. Nenhum banco faliu por conta dessa obrigação.

As décadas passaram, os bancos cresceram e hoje somos nós, depositantes, que pagamos juros pelo dinheiro entregue aos cofres bancários. Além disso, também pagamos pela abertura, renovação e extinção de cadastros. E mais, pelo fornecimento de talões e folhas de cheque, pela transferência e exclusão dos próprios. Pior fica quando nos cobram juros de cheques especiais e de cartões de crédito, beirando os 150% ao ano.

Isso explica os lucros estratosféricos dos bancos, inclusive os estatais, sem que se fale em outras operações menos claras e restritas aos iluminados da ciranda financeira. Seria de esperar, ao menos, que à maneira do passado, a categoria dos bancários estivesse socialmente bem, com salários razoáveis. As famílias davam até festa quando um filho passava no concurso para o Banco do Brasil ou subia de patamar na escala funcional dos bancos privados. Ser gerente de banco era o clímax de carreiras estáveis e promissoras.

Agora, ser bancário é estar mergulhado na insegurança, tendo em vista a nenhuma estabilidade para quem trabalha no setor. Além de salários cada vez mais insignificantes, em meio à ditadura dos computadores. Por conta da recente crise econômica mundial, as demissões já começaram.

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