| O pró-reitor de Extensão e Assuntos Comunitários da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), professor Rogelio Casado, recebeu visita do Coronel de Engenharia do Exército, Hiram Reis e Silva. Durante o encontro, o coronel apresentou o projeto Desafiando o Rio Mar, que será colocado em prática a partir do próximo dia 1º de dezembro, quando, do município de Tabatinga, o coronel irá percorrer de caiaque toda a extensão do Rio Solimões, até Manaus.
De acordo com Hiram Silva, a descida do Rio Solimões de caiaque visa a reconhecer seus principais afluentes, observar a fauna, flora, hidrografia, relevo e entrevistar autoridades locais e representantes dos povos da floresta. Neste contexto, já estão programadas visitas às unidades da UEA, onde o militar irá realizar palestras de apresentação do projeto. No Brasil, começando no município de Tabatinga, o Solimões tem como afluentes da margem direita o Rio Javari, Jutaí, Juruá e Purus. Na margem esquerda, o rio Içá e o Japurá. Percorre as cidades de São Paulo de Olivença, Amaturá, Santo Antônio do Içá, Tonantins, Jutaí, Fonte Boa, Tefé, Coari, Codajás, Anamã, Anori, Manacapuru, totalizando, aproximadamente, 1.700 km até chegar a Manaus, onde ao encontrar o Rio Negro, recebe o nome de Rio Amazonas. “O projeto Desafiando o Rio Mar visa a elaboração de uma ação comunicatória, que desperte a juventude brasileira e a mantenha acordada, com conhecimento de causa, exercendo uma pressão cidadã, no sentido de reverter o maior esbulho do patrimônio brasileiro, atualmente em andamento”, explicou o militar. Segundo o coronel, o objetivo geral do projeto é colher subsídios in loco, descendo o Rio Solimões/Amazonas de caiaque e reconhecer seus principais afluentes. |
O que um progressista é? De visão ampla. Inovador. Otimista. Pragmático. Justo. Respeitoso. Patriota. E o que não é? De visão estreita. Temeroso de idéias novas. Ingênuo. De mente fechada. Egoista. Arrogante. Xenófobo.
O círculo ao lado, com o que ele é e não é, está no web site do Center for American Progress, CAP (saiba mais sobre ele AQUI). E de Nova York a jornalista Andrea Murta informou na Folha de S. Paulo: “o esquerdista Centro para o Progresso Americano” está emplacando membros na equipe do presidente eleito Barack Obama e poderá ter no novo governo “papel semelhante ao ocupado pela conservadora Heritage Foundation no governo Ronald Reagan” (leia a íntegra AQUI).
Certamente a informação faz sentido, até porque a primeira escolha de Barack Obama foi John D. Podesta, presidente e executivo-chefe do CAP (além de ex-chefe de gabinete do presidente Clinton na Casa Branca e professor da escola de Direito da Universidade de Georgetown) para chefiar a equipe de transição. Mas é um exagero chamar o CAP de esquerdista (a própria escolha do nome “Centro” pode ser deliberada, para explicitar a posição centrista).
E dificilmente ele terá o papel relevante da Heritage Foundation. Há diferença razoável entre o pequeno CAP e aquela fundação que atuou com tanta desenvoltura no governo Reagan, mesmo dividindo o espaço com o AEI (American Enterprise Institute), também ativa e de direita. Fora do palco central nos oito anos de Clinton (quando davam assistência à maioria republicana do Congresso), as duas – abrigando vários dos neocons – ainda retornaram, com mais força, nos dois mandatos de George W. Bush (2001-2009).
Depois da guinada à direita
Parece natural o CAP – e seu parceiro CAP Action Fund, também presidido por Podesta – dividir o espaço com outras organizações igualmente inclinadas para o centro, como a Brookings Institution, antiga, tradicional e bem maior (é onde ainda serve o ex-embaixador Lincoln Gordon). Esquerdista seria o também atuante – e bem menos dotado de recursos – Institute for Policy Studies (IPS), muito ativo na Washington do presidente Jimmy Carter.
O que aconteceu entre a fase final dos protestos contra a guerra do Vietnã (dias agitados, que incluiram a cobertura de Watergate) e o início promissor do governo Carter foi uma espécie de reorganização da direita, que passou a cooptar quadros nas Universidades para combater a fantasiosa “ameaça vermelha”. Daí a proliferação em todo o país dos think tanks conservadores, hoje amplamente predominantes.
Foram devastadores os efeitos disso no jornalismo e na área acadêmica. Ainda no início do governo Reagan, ouvi uma queixa amarga do jornalista I. F. Stone (visto ao lado, no traço de David Levine), o lendário criador do I. F. Stone’s Weekly. Ele contou como a direita tinha passado a recrutar – ou melhor, “comprar” – os mais promissores estudantes universitários com propostas irrecusáveis (saiba mais sobre Stone AQUI no magnífico web site criado para contar sua história e expor sua obra).
Apenas “idéias progressistas”
Além disso, institutos como o IPS – onde estava Orlando Letelier, ao ser morto em atentado terrorista no coração de Washington, em 1976 – tornaram-se alvos de campanhas difamatórias desencadeadas por organizações de extrema direita como a Accuracy in Midia (AIM) e sua parceira da área acadêmica, Accuracy in Academia (AIA), dedicadas então a ressuscitar, no estilo macarthista, a “ameaça comunista”.
Naquele clima institutos como o IPS – atacado até em anúncios de página inteira dos jornais pela direita enfurecida – tornaram-se “controvertidos” e perderam parte de suas fontes de financiamento. Atualmente esses grupos têm dificuldade para sobreviver, sempre caçados por impérios de mídia como os de Rupert Murdoch (Fox e outros veículos) e do reverendo Moon (Washington Times e outros).
Os mais novos – como o CAP, criado em 2003 – preferem ficar no centro e evitam ir para a esquerda, com medo do rótulo. No máximo, definem-se como “progressistas”. O presidente Podesta, extremamente leal a Clinton, até nos piores momentos, fica longe da definição ideológica. O lema no alto da página do CAP na Internet é “idéias progressistas para uma América forte, justa e livre”. Também em destaque na página da Internet estão as quatro prioridades progressistas:
- Restauração da liderança global dos EUA;
- Aproveitando a oportunidade, chegar à auto-suficiência energética;
- Distribuição equitativa dos frutos do crescimento econômico progressivo;
- Criação do sistema universal de assistência à saúde, para todos os americanos.
Moderados até certo ponto
Entre os especialistas do Center for American Progress estão alguns expoentes do liberalismo político americano. Morton Halperin, um deles, serviu a três governos (Johnson, Nixon e Clinton), inclusive no Pentágono e no Conselho de Segurança Nacional, onde foi grampeado pelo chefe, Henry Kissinger, depois condenado na Justiça a indenizá-lo pelo crime – com um pagamento simbólico estipulado pelo próprio Halperin: US$ 5.
Mark Green (mais sobre ele AQUI), outra personalidade do CAP, foi protegido de Ralph Nader no início da carreira. Elegeu-se mais tarde Advogado Público de Nova York e acabou derrotado ao se candidatar a prefeito em 2001. Recentemente Green assumiu a direção da Air America, rede liberal radiofônica de talk shows. Autor de mais de 20 livros, lançou agora Change for America (veja a capa acima), manual progressista para ajudar as mudanças pretendidas por Obama.
Ruy Teixeira (mais sobre ele AQUI), cientista político de ascendência portuguesa, teve o mérito há seis anos de lançar (com John Judis) o ensaio The Emerging Democratic Majority, prevendo que os democratas estavam destinados, demograficamente, a se tornar o partido majoritário dos EUA (exatamente como a previsão correta de Kevin Phillips em favor dos republicanos em 1967). Respeitado por liberais e conservadores como especialista em opinião pública, Teixeira mostra-se centrista.
Não é esse o caso de Eric Alterman (mais sobre ele AQUI), professor de jornalismo, colunista da revista The Nation e autor de vários livros. Sem medo de ser rotulado de esquerdista, ele é duro nas críticas aos impérios de mídia (o de Murdoch em especial) e também colabora ativamente com o web site Media Matters for America, que expôs dia a dia as excessos da cobertura maliciosa contra Obama durante a última campanha presidencial.
Breve perfil
Como jornalista, escrevo regularmente para o diário Tribuna da Imprensa (leia AQUI) do Rio de Janeiro, desde a década de 1980. Como autor, publiquei os livros Informação e Dominação (edição do Sindicato de Jornalistas do Rio de Janeiro, 1982 – esgotado), Caça às Bruxas – Macartismo: Uma Tragédia Americana (L&PM, Porto Alegre, 1989), O Império Contra-Ataca – As guerras de George W. Bush antes e depois do 11 de setembro (Paz e Terra, São Paulo, 2004) e fui colaborador de Rede Imaginária – TV e Democracia (org. por Adauto Novaes, Companhia das Letras, São Paulo, 1991), Mídia & Violência Urbana (Faperj, Rio de Janeiro, 1994).

Escrito por rvcb
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